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VISÃO INFANTIL MERECE ATENÇÃO ESPECIAL

1 - Dados da organização mundial da saúde (OMS) indicam que 28 milhões de pessoas não conseguem contar os dedos da mão do examinador a uma distancia de 3 metros .
O numero de indivíduos que apresentam a imcapacidade visual aumenta para 42 milhões se a distancia for de seis metros , e a OMS estima que estes números podem duplicar até 2020 com o crescimento demográfico e o envelhecimento da população mundial.
Mas o processo de envelhecimento é apenas um dos fatores que atingem a visão dos indivíduos , e é preciso que pais e médicos tenham atenção redobrada com a visão infantil , porque geralmente as crianças não sabem avisar sobre o problema .

2 - Números da OMS indicam que cerca de 7,5 milhões de crianças em idade escolar são portadoras de algum tipo de deficiência visual e , destes, apenas 25% apresentam sintomas , enquanto o restante nescessitam de testes específicos para ideentificar o problema .

3 - Para evitar que esses números aumentem e que as doenças se agravem , pediatras e neonatologistas devem fazer diagnósticos precoce e preciso
A coordenadora de setor de catarata do hospital de medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) Amaryllis Avakian , defende que os primeiros exames preventivos nos olhos das crianças devem ser feitos ainda no berçário “Só de observarem o recém-nascido os especialistas podem identificar se tem estrabismo ou , ao jogar um feixe de luz ,diagnosticar se existem problemas como descolamento de retina , catarata ou até retinoblastoma “ A tese também é defendida por pesquisadores do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba , que recomendam o exame oftalmológico como rotina no atendimento ao recém-nascido nas primeiras 48 horas de vida . No trabalho realizado pelos pesquisadores , que envolvem 667 crianças , foi comprovado que 3,75% apresentavam alguma alteração ocular ao nascimento e 56% dos problemas passavam despercebidos por pediatras , neonatologistas e pais.

4 - As principais doenças detectadas durante o estudo foram opacidade corneana (diminuição total da transparência da córnea devido a lesões em uma das camadas que a compõem ) ambliopatia (visão deficiente em um do olhos devido a problemas no desenvolvimento ) e leucocoria (mancha branca no olho causado por tumores , verminose ou catarata congênita) ,que podem provocar diminuição da acuidade visual e , quando não-tratadas , perda de visão.

5 - “O pediatra, ao suspeitar de qualquer problema visual , deve encaminhar a criança diretamente para um oftalmologista para a reealização de um exame ocular completo , independentemente da idade” , alerta o oftalmologista Carlos Fernando Ferreira , membro do Conselho Diretor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SOB) .Como nem sempre as crianças conseguem expressar que tem dificuldades de enxegar , especialmente nos primeiros anos de vida , os oftalmologistas devem lançar mão de letras , desenhos e até de brincadeiras lúdicas- como jogar uma bola para a criança buscar – com o objetivo de confirmar se há problemas de visão .
A chefe do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo , Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM) Ana Luiza Hofing de Lima , alerta que os pediatras devem orientar os pais a observar o comportamento visual dos filhos por meio de testes indiretos para verificar se a criança já nos primeiros meses de vida , responde a estímulos luminosos.

6 - Mais tarde , brincadeiras com objetos coloridos e de encaixe , quando utilizadas para observação das crianças , também podem ressaltar problemas, principalmente quando existe resposta diferente entre o desempenho visual de cada olho .
ESCOLARES-Muitas crianças têm ainda o aprendizado escolar e o convívio social prejudicados por problemas de visão que poderiam ser solucionados com uma simples consulta . Pesquisa de Ministério da Educação aponta que 20% das crianças em idade escolar apresntam algum tipo de problema oftalmológico que, quando não corrigido , contribui para um déficit do aproveitamento escolar e da socialização . Os principais sintomas indicativos de problemas são coceira , dificuldade de leitura , piscamento , olho torto , sensibilidade exagerada a luz , olhos inflamados ou lacrimejantes e terçol freqüente.
Para Amaryllis Avakian , é fundamental que os pediatras orientem os pais a procurarem um oftalmologista para avaliação da criança a partir dos 3 meses de idade. Mesmo quando não notarem qualquer problema. “ A visão da criança que ambliopia , por exemplo , não vai desenvolver 100% se ela não utilizar óculos antes dos 7 anos , porque a doença nada mais é do que o não-desemvolvimento completo da visão” explica o médico.

7 - Para Newton Kara José , professor de Oftalmologia do Hospital das Clinicas da Fculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), não existe idade fixa para levar a criança ao oftalmologista e o melhor é que os pais que tiverem problemas oculares, como estrabismo,grau alto de óculos ou baixa visão , levem os filhos para fazer exames nos primeiros anos de vida . O médico alerta que o desinteresse das crianças pela leitura ou por brincadeiras ao ar live , dores de cabeça , lacrimejamento durante ou após esforço visual , aperto nos olhos para enxergar melhor e mudanças de comportamento também são indicativos de problemas . Uma alternativa ao procedimento tradicional de diagnostico é um método chamado Potencial visual .

8 - O exame que independe da resposta do paciente , é ideal para bebês , crianças pré-verbais e adultos com deficiência neurológicas ou problemas de comunicação em geral .
Para a realização do exame , a criança fica no colo da mãe , em frente a um computador , e são colocados quatro eletrodos na região occipital para captar o estimulo eletrico . Na tela são projetadas ,por 10 segundos , listras largas em preto e branco que , depois são trocadas por listras cada vez mais finas mais difíceis para o cérebro processar . A medida em que a largura vai caindo , a resposta cerebral , enviada ao computador em forma de sinais elétricos , vai diminuindo .

9 - Os resultados são registrados por cinco ou seis vezes e é tirada uma média para avaliar a acuidade visual . “ O exame não faz o diagnóstico da doença , mas permite saber se a pessoa tem algum impedimento para enxergar e o que deve ser investigado pelo especialista” afirma Ana Luiza Hofing.