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"…Ora, não percebeis que com os olhos alcançais toda a beleza do mundo? (…) Ó coisa admirável, superior a todas as outras criadas por Deus! (…) Que povos, que línguas poderão descrever completamente a sua função! O olho é a janela do corpo humano pela qual ele abre os caminhos e se deleita com a beleza do mundo. Por causa do olho, a alma se compraz em ficar presa ao corpo, pois sem ele essa prisão seria uma tortura." Leonardo da Vinci (1452-1519) |
Dos órgãos responsáveis em fornecer-nos informações sobre o meio, o olho é sem sombra de dúvida o principal. O olho é responsável por cerca de 90% das informações que chegam ao cérebro! É através do olho, principalmente, que tomamos conhecimento de onde estamos, bem como do meio que nos circunda. Onde Fica?
Sete ossos do crânio contribuem para a formação da órbita, a cavidade na qual o olho se aloja. O olho ocupa apenas um quinto do volume da órbita, sendo o restante ocupado principalmente por gordura, além de músculos, vasos sangüíneos e nervos. Como É?
O olho humano é aproximadamente esférico, uma bola preenchida com líqüido. Por isso o nome globo ocular. Esta bola é dividida em dois compartimentos principais. O maior deles, na parte de trás, é preenchido por uma substância gelatinosa (corpo vítreo). O outro compartimento, menor e na parte da frente, é preenchido pelo humor aquoso.
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Entre estes dois compartimentos fica o cristalino, uma lente natural sobre a qual ainda falaremos. A íris, que dá a cor dos olhos, fica à frente do cristalino. Um orifício no meio da íris permite que a luz chegue até o fundo do olho: é a pupila.
À frente de tudo isso fica a córnea, que é a tampa deste compartimento da frente. É como um vidro de relógio, uma cúpula transparente. O globo ocular é formado por três camadas. É como se fossem três bexigas, uma dentro da outra. A bexiga que fica mais por fora é a esclera. É o branco do olho. Na parte da frente, esta bexiga tem suas células arrumadas de uma forma toda especial, de modo a se tornar transparente. É a córnea!
Diagrama do olho em corte |
A segunda bexiga, mais interna, nós quase não vemos: é a chamada úvea. Na parte da frente, pelo fato de a córnea ser transparente, podemos ver um pedacinho da úvea: a íris! Como no resto da úvea, a íris também possui melanina. Quanto mais melanina, mais escura a íris, e quanto menos melanina, mais azulada. A terceira bexiga, esta nós realmente não vemos. É a retina. É nesta camada que estão as células responsáveis por captar a luz e as células responsáveis por transmitir ao cérebro a mesma luz, em forma de impulsos nervosos. |
Ainda, há uma fina pele que reveste a parte do olho que fica exposta ao ambiente: é a conjuntiva. A conjuntiva é a principal produtora de lágrima, além de ter várias outras funções (de defesa, de nutrição, etc.).
Por cima da conjuntiva fica o filme lacrimal, ou seja, a lágrima. O ato de piscar constantemente espalha a lágrima na superfície do olho para mantê-la sempre úmida. Esta função é imprescindível para que possamos enxergar.
Agora, se imaginarmos o fundo da bexiga como sendo a frente do olho, o nó da bexiga corresponderia aproximadamente ao nervo óptico. O nervo óptico sai do fundo do olho como um tubo contendo milhares de fiozinhos, cada fiozinho carregando uma parte da imagem captada na retina. Como Funciona?
É quase inviável falar sobre o funcionamento do olho sem utilizar a já tradicional comparação com uma máquina fotográfica. Isto se dá porque a comparação é realmente excelente!
Quando a luz incide sobre um objeto – qualquer que seja – dois fenômenos sempre ocorrem: uma parte da luz é absorvida, e outra é refletida.
Se o objeto for transparente - total ou parcialmente - além dos fenômenos acima ocorre também um terceiro, que é a refração. A luz é refratada, isto é, ela muda de direção (há muito mais detalhes sobre este assunto, mas isto é o suficiente para o entendimento desta explanação).
Assim como a máquina fotográfica, o olho capta a parte da luz que é refletida pelos objetos. Para focalizar os objetos, tanto a máquina fotográfica quanto o olho se utilizam do fenômeno de refração. "Vejamos" como isto se dá.
Imagine, por exemplo, uma árvore. A luz do sol incide sobre ela. Uma parte desta luz é absorvida, outra parte é refletida. A parte da luz que é refletida chega aos nossos olhos, de modo que podemos vê-la, assim como chega à câmera, de modo que podemos fotografá-la.
A íris regula a quantidade de luz que entra no olho, assim como o diafragma da máquina fotográfica.
Ao se contrair, a pupila diminui de diâmetro e menos luz entra. A melanina presente na íris é importante para deixar passar luz somente pela pupila, absorvendo o restante. Nos olhos com pouca melanina, ou seja os mais azulados, uma quantidade de luz passa também pela íris. Por isso as pessoas de olhos claros são mais sensíveis à luminosidade. Mas como a imagem da árvore cabe em nossos olhos?
Como ela cabe em uma câmera?
Isto se dá graças ao terceiro fenômeno, a refração. A luz passa pelas lentes da câmera - que são transparentes, e portanto causam mudança na direção da luz - e então a imagem é focalizada no filme. Do mesmo modo, ao passar pela córnea, pelo humor aquoso, pelo cristalino e pelo humor vítreo, que são transparentes, a luz sofre mudanças de direção, e a imagem é focalizada na retina.
Esquema de projeção da imagem da retina |
Uma vez tendo chegado no filme da máquina, a luz causa uma reação química, alterando a composição do filme, fazendo com que a imagem fique ali gravada. Este filme então é mandado ao laboratório para ser revelado. No olho, a luz também desencadeia uma reação química. Esta reação química é transformada em impulso nervoso, o qual por sua vez é enviado ao cérebro pelo nervo óptico para ser interpretado. O cérebro é o nosso laboratório de revelação! Mas o olho tem, neste sentido, uma grande vantagem em relação à máquina fotográfica. |
O filme é automaticamente trocado cada vez que batemos uma foto, ou seja, cada vez que olhamos para algo. Isto por que as células que captam a luz, no interior das quais ocorrem as ditas reações químicas, imediatamente repõem as substâncias químicas gastas na reação, de modo que inúmeras fotos podem ser tiradas por segundo sem que o filme se desgaste!
Obs.: a vitamina A é um adjuvante importante neste processo, mas não deve ser ingerida em excesso! Miopia, Hipermetropia, Presbiopia, Astigmatismo
Para que a imagem de um objeto seja focalizada corretamente na retina, é necessário que haja uma relação adequada entre o poder refrativo - o quanto a luz é desviada ao entrar no olho - e o tamanho do olho. Miopia
O que acontece na miopia? Na maioria dos casos a retina está muito longe, ou seja, o olho é maior do que o habitual, ou o poder refrativo do olho é maior do que o habitual.
Como não conseguimos mudar o tamanho do olho, o míope tem que chegar mais perto para enxergar melhor. Outra solução é diminuir o poder refrativo, usando uma lente negativa, por exemplo -1,00 (1,0 grau de miopia). Hipermetropia
Na hipermetropia ocorre o contrário, ou seja, o olho é muito pequeno. Ou, menos freqüentemente, o poder refrativo do olho é muito pequeno. Como, novamente, não há como mudar o tamanho do olho, deve-se aumentar o poder refrativo, seja usando lentes positivas, de + 1,00 por exemplo (1,0 grau de hipermetropia), ou se utilizando da ACOMODAÇÃO (veja a seguir). Acomodação - Presbiopia
O olho possui um sistema de foco automático dos mais avançados! Quando olhamos para um objeto que está bem próximo, o cristalino muda sua forma, aumentando seu poder refrativo. Este fenômeno é chamado de acomodação.
O hipermétrope se utiliza muito deste processo para conseguir enxergar objetos próximos. Assim, não sente tanto a falta de óculos quanto o míope. Porém, no fim do dia fica com "as vistas cansadas", porque para mudar o formato do cristalino são utilizados músculos que se contraem. Principalmente se a pessoa lê muito, costura, usa o computador, enfim, trabalha com objetos próximos, no final do dia estes músculos estarão cansados. Solução: óculos "para descanso".
Com o avançar da idade, o cristalino vai alterando seu metabolismo e vai ficando mais duro, e não consegue mais mudar de forma para focalizar. O foco está sempre regulado em "para longe". É a chamada presbiopia (presbi = de idade avançada; opia = visão), ou o popular "braço-curto".
A pessoa tem que colocar os objetos cada vez mais distantes dos olhos para conseguir focalizar, e isto progride até um certo ponto, quando então os óculos para perto se tornam indispensáveis. Astigmatismo
Finalmente, o astigmatismo consiste no fato da córnea, ao invés de ser como um vidro de relógio perfeitamente esférico, é como um vidro de relógio oval. Observe como ficam as imagens ao passar por uma garrafa cheia de água. Em menor escala, é isto o que acontece com o olho de quem tem astigmatismo (e todos nós temos, em maior ou menor grau). Como Nós Percebemos as Cores?
A luz, como todos sabemos, é formada por várias faixas de cores. Na retina, os fotorreceptores, que são as células que captam a luz, são especializados em captar diferentes faixas da luz visível. Assim, possuímos três tipos de fotorreceptores para as cores que são chamados cones, devido ao seu formato. Há cones para o azul, para o verde e para o vermelho. Espectro
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Existe muito mais a ser percebido do que a restrita faixa que o olho vê!
O cérebro compõe, misturando os estímulos que a ele chegam para formar uma cor. Por exemplo, quando olhamos para um objeto cor de laranja, serão estimulados os receptores para o vermelho com uma intensidade grande, os receptores para o verde em uma intensidade menor e os receptores para o azul em uma intensidade ainda menor, quase nenhuma. O cérebro então analisa o quanto de estímulo está chegando de cada fotorreceptor e "mistura as tintas" nas quantidades certas para dar a determinada cor. O branco, por exemplo, é visto quando chegam estímulos máximos dos três tipos de fotorreceptores.
Os bastonetes são um outro tipo de célula que capta luz, mas não diferenciam as cores, apenas preto e branco. Como funcionam em baixas intensidades de luz, são os bastonetes que nos permitem enxergar; quando está escuro, por isso na penumbra tudo fica meio acinzentado. Os cones precisam de luz bastante intensa para funcionar e por isso não funcionam na penumbra.
Tal é o olho humano. Muito mais a seu respeito poderia ser dito. Sua beleza é infindável. Como todas as coisas na natureza, quanto mais nos aprofundamos em seus mistérios, mais nos maravilhamos. Um mecanismo altamente engenhoso. Sem dúvida a melhor das máquinas fotográficas. Realmente, um presente divino para que, como disse Leonardo da Vinci, possamos captar as belezas deste mundo em todas as suas nuances…
Fonte: Revista Eletrônica.
